Uma tempestade destruiu meu navio de certezas.
E agora estou a deriva.
A mercê de monstros que habitam esse lugar.
Esse não é o tédio no qual navegava.
Tem criaturas aqui que desconheço.
Elas parecem me engolir viva.
Uma a uma, todas de uma vez.
Minhas certezas não correspondem aos fatos.
Não quero me afogar.
Preciso da segurança e da estabilidade, mas não ouso querer o tédio de volta.
Uma tempestade destruiu meu navio de certezas.
É uma tempestade de cabelos vermelhos.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Problemas de percurso
Navegava pelo tédio recorrente quando avistei uma tempestade.
Ao horizonte não tão distante, porém evitável.
A razão em mim evocava a negativa necessidade de enfrentar tal provação.
Certamente, a estrutura das minhas certezas não sobreviveria a tempestuosidade de tal magnitude.
Certamente.
Fitei o tédio e ele me fitava.
Suas turbulências conceituais não eram nada que eu já não estivesse habituada.
Tornou-se fácil navegar pelo tédio. Mas nada agradável.
E, no horizonte, a tempestade visivelmente provocava o caos.
Tentador.
Fitar a tempestade já causava pequenas turbulências.
Voltei a atenção ao tédio, deveria aportar ao norte em breve.
A razão evocou o fim das distrações.
E assim seria.
Teoricamente.
Os ventos mudam de direção, ajustar o curso.
Não seria surpreendente se estes ventos me levassem a navegar pela tempestade?!
Foco. O porto aguarda ao norte.
E no norte, a tolerância ao nada habita.
Norte.
Último olhar à tempestade, último.
E os ventos a sopravam para a minha direção.
E nesse último olhar, me perdi na maravilha do caos.
Como era belo e inconstante.
Mutável.
O porto ao norte pode esperar.
O Norte sempre estará no mesmo lugar.
E a tempestade é transitória, caótica e destrutiva.
Os ventos sopram a tempestade em minha direção, e ajusto meu curso para ela.
A tempestade é uma mulher.
Traçando os t's
Tempo é tudo que todos teimam em tentar ter.
Tempo é toda tentativa totalmente transitória de traduzir a totalidade em tipicidades.
Tempo inexiste.
Inexistir. Outro conceito difícil.
Como algo é, sem ser?
Verifico a cada dia a necessidade de repensar diversos conceitos que me perturbaram no decorrer de toda essa vivência.
Talvez seja totalmente trivial.
Talvez.
Meus conceitos deveriam traduzir certezas. Não sei conviver com a dúvida.
Talvez seja totalmente trivial.
Mas na fuga do tédio, tudo é válido para resistir ao tempo.
Sim, o tempo que inexiste.
Dos motivos para se ter um blog.
Quando sua vida dá um sobressalto e, de repente, o que você havia planejado é corrompido e transformado em algo ininteligível; crie um blog.
Quando tudo o que você pensava ser axiomático começa a parecer paradoxal, e seus paradoxos passam a soar como erros lógicos; crie um blog.
Quando a dúvida permear suas certezas, quando o medo invadir a coragem, quando houver a menor probabilidade de equívoco no teu absoluto; crie um blog.
"Crie um blog" é um outro jeito de dizer "você se fodeu, lide com isso."
Colocando os pingos nos i's
Não faço questão de ter um blog. Não sou escritora.
Eu escrevo sobre minhas teorias, minhas interpretações de teorias, meus devaneios e sobre o meu nada.
Eu escrevo sobre minhas teorias, minhas interpretações de teorias, meus devaneios e sobre o meu nada.
O nada é o tédio inevitável que cerca todo ser; é aquele sentimento de conclusão quanto a simplicidade verificado em todas as esferas da vida. Como se não houvesse magia em nada.
Não escrevo aqui para dizer que sim, que há magia. Não há. Dificilmente encontrará algo de positivo ou otimista por aqui; e esse é o tom máximo de otimismo que tenho a oferecer. Quando se habita o nada, ou quando o nada habita você; o otimismo é um luxo reservado aos tolos.
Abençoados sejam todos os tolos.
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